Cravo
O cravo é um instrumento musical que surgiu quando se anexou um teclado ao saltério. Isso aconteceu por volta do século XIV. O saltério, dos instrumentos musicais mais antigos, tem a forma triangular e som acontece no dedilhar de suas cordas. Era o instrumento preferido do rei-músico-poeta Davi. A inclusão do teclado tornou o saltério em algo 'mecanizado'. O 'beliscar' das cordas por meio dos teclados acaba por diferenciar o cravo mecânico do futuro piano. "Enquanto as cordas do cravo são tangidas por bicos de penas, o piano tem suas cordas percutidas por martelos (revestidos de couro nos primeiros modelos), cuja dinâmica pode ser variada de acordo com a pressão dos dedos do executante" .
Virginal
O virginal é um instrumento musical de cordas, da família do cravo. Constitui-se de um conjunto de cordas dispostas em uma caixa de ressonância de modo que cada corda produz uma única nota. A execução é feita por pinçamento através de umteclado.
O virginal é a mais simples variação do cravo. Possui uma caixa pequena e retangular, diferentemente dos cravos modernos que possuem caixa grande e triangular. As cordas (uma para cada nota) são montadas paralelamente ao teclado, sobre o lado mais longo da caixa. Possui um único teclado e em geral apenas umplectro por corda. A origem do nome é obscura. Na Inglaterra Elizabetana a palavra virginal era usada para designar qualquer tipo de cravo. Assim, as obras de William Byrd e seus contemporâneos eram tocadas em cravos de estilo italiano e não em virginais como são chamados hoje.
ORGÃO
O órgão surgiu a partir da flauta grega, o aulos, com o sistema hidráulico de injeção de ar comprimido nos tubos. A principio o órgão tinha apenas sete tubos, sendo que cada um correspondia a uma nota
A introdução de órgãos nas igrejas é tradicionalmente atribuída ao Papa Vitalian no século VII. Foi o instrumento de trabalhos de maior parte dos compositores da História da Música Ocidental, até ao aparecimento do piano. J. S. Bach elevou a técnica e o virtuosismo de execução ao ponto mais alto da história deste instrumento.
Os órgãos variam imensamente em tamanho, indo desde uma pequena caixa até a monumentais caixas do tamanho de casas de 5 andares. Tendo de um a quatro teclados e podendo ter uma pedaleira de até uma oitava e meia.
Uma das riquezas tímbristicas do órgão reside na possibilidade do executante selecionar diferentes registros. Os registros são programações de tubos que se acionados podem mudar a posição do ar nestes tubos. Os tubos possuem dimensões muito diversas, podendo ir de poucos centímetros a alguns metros.
Uma caractarística é o fato de qualquer nota do órgão se poder manter perpétua e ininterrupta enquanto se pressiona uma tecla. A nota não se vai extinguindo gradualmente como no piano ou no cravo. Outra característica é o facto de os seus variados timbres, e amplitude sonora (volume) poderem mudar conforme o número de pessoas que canta ser apenas uma ou um milhar delas.
Encontram-se sobretudos nas igrejas, mas também em salas de concertos, escolas e casas particulares.
Alguns exemplos
O maior órgão histórico de Portugal encontra-se na Igreja de São Vicente de Fora, em Lisboa. Construído em 1765 pelo organeiro João Fontanes de Maqueixa e restaurado em 1994 por Claude e Christine Rainolter de França, trata-se de um dos mais importantes exemplares da organaria portuguesa do século XVIII, com 2 manuais e 60 meios-registos num total de 3.115 tubos.
O maior conjunto de órgãos construídos para um mesmo espaço encontra-se também em Portugal, na Basílica de Mafra. Mandado construir pelo rei D. João V, trata-se de um conjunto de seis órgãos idealizados para soarem em simultâneo. O restauro do conjunto, a cargo do organeiro português Dinarte Machado, foi completado em 2010 e inaugurado com um concerto com todos os instrumentos operacionais, e partitura exclusiva, como terá acontecido pela última vez há duzentos anos.
No coro-alto da Igreja da Lapa (Porto) foi construído em 1995 um órgão de tubos da autoria do mestre-organeiro alemão Georg Jann. Trata-se do maior órgão da Península Ibérica.
O maior órgão de Portugal encontra-se no Santuário de Fátima. Tem 5 teclados manuais (Grande Orgão, Positivo, Recitativo, Solo e Eco) de 61 teclas, pedaleira de 32 teclas, 152 registos e aproximadamente 12.000 tubos. Foi fabricado pela firma Fratelli Rufatti, de Pádua, em 1952. (Fonte: http://www.santuario-fatima.pt/portal/index.php?id=1346 )
O maior órgão da America Latina, é o órgão da Basílica de Nossa Senhora Auxiliadora, em Niterói, inaugurado no dia 16 de Abril de 1956 pelo Maestro Fernando Germani, organista do Vaticano. Possui 11.130 tubos, desde o menor com 8 milímetros, ao maior com 12 metros de altura. Citemos uma informação do jornal O Fluminense: "O conjunto é comandado e controlado na consola (mesa de teclados), na qual estão além dos cinco teclados e da pedaleira, 211 placas móveis que acionam os registros, os 51 "accoppiamenti" de oitava, os anuladores, os sinos, a harpa e os trêmulos. O organista tem ainda à disposição, 90 pistõezinhos, 20 pedaletes e 4 pedais que servem para tornar fácil a manobra de todos os comandos. Todo o trabalho do organista é facilitado pelas indicações luminosas e pelos mostradores que ajudam a tocar esse instrumento, tornando-o mais maleável que os pequenos órgãos antigos".[1]
O maior órgão do mundo encontra-se na Convention Hall da Organ Society em Atlantic City (Estados Unidos). Este possui 7 manuais e pedaleira. Tem duas consolas. Foi construído entre Maio e Dezembro de 1929 pela Companhia Merrick, na época situada em Long Island, Nova Iorque. Desconhece-se o número exacto de tubos que o compõe, mas pensa-se que está por volta dos 33.114.
Outro exemplar de grandes dimensões é o órgão da Catedral de Santo Estêvão em Passau, na Alemanha. Possui 17.774 tubos e 233 registos.





